UMA MOTIVADA EMPREENDEDORA USOU O ‘HARA’ PARA MUDAR UMA ESQUINA DE EAST LONDON…

Bem-vindo ao Pioneiros do Bem-estar, Capítulo 1. Esta é a Kiara.
Pode encontrá-la no café em East London de que é coproprietária.

 

Kiara Devika Galardi é uma mulher com uma missão. Com os seus cabelos escuros e ondulados, tatuagens de bambu nos braços e piercings de prata, ela ilumina a sala. E onde nos encontramos? No HARA, o seu original café, inaugurado há apenas 6 meses numa rua movimentada de East London, onde as habitações sociais se erguem ao lado dos canais em De Beauvoir Town.

Kiara falou-nos sobre o seu amor pelo sol, um ingrediente especial, e de como as pequenas coisas podem fazer uma grande diferença…

 

Conte-nos a história do Hara – como começou, e porquê?

A ideia de abrir um lugar assim já era antiga. Estava a trabalhar em cafés quando desenvolvi uma intolerância ao glúten e aos laticínios. Sentia-me frustrada por ter a sensação de não poder comer quase nada quando saía. Os sítios que frequentava tinham sempre os mesmos bolos e sanduíches. Não conseguia perceber o porquê desta falta criatividade. Para comer alguma coisa que não fosse servida numa torrada tinha de ir a um bom restaurante e gastar um balúrdio de dinheiro.

Aprendi a palavra “Hara” quando fiz um curso de professora de ioga há quatro anos. Gostei imenso da palavra, do seu conceito… Na cultura oriental e nas artes marciais, “Hara” é o centro energético do corpo. Adoro a ideia de que existe um poder que vem do nosso centro e de como isso se relaciona perfeitamente com a forma como preparamos os alimentos…

Kiara Devika Galardi é uma mulher com uma missão. Com os seus cabelos escuros e ondulados, tatuagens de bambu nos braços e piercings de prata ela ilumina a sala. E onde nos encontramos? No HARA, o seu original café, inaugurado há apenas 6 meses numa rua movimentada de East London, onde as habitações sociais se erguem ao lado dos canais em De Beauvoir Town.

Kiara falou-nos sobre o seu amor pelo sol, um ingrediente especial, e de como as pequenas coisas podem fazer uma grande diferença…

 

Existe uma filosofia alimentar por trás do Hara?

Gostamos que nossa comida seja nutritiva. Referimo-nos sempre a “comida feliz” e dizemo-lo de forma convicta. Como se sente o nosso corpo depois de comermos? Por isso damos muita importância à sazonalidade. Acreditamos que comer alimentos na estação certa do ano, saborosos, reais e integrais, nos faz sentir bem. O desafio é conseguir que os alimentos sejam interessantes e aliciantes. O mês de fevereiro é particularmente difícil, pois praticamente só há tubérculos. Agora estamos na época das beterrabas, maçãs e repolhos. Por isso dizemos frequentemente “já não posso ver maçãs! Quando é que chegam os pêssegos?” [risos]

Se lhe pedir para tentar ser adivinha, acha que está para surgir alguma tendência alimentar ou novos ingredientes mágicos que poderão vir a dominar no futuro?

Nós usamos MUITO a curcuma. Nos sumos, nas papas de aveia. Ok, não é um ingrediente novo, na verdade é bastante antigo, mas tem um gosto verdadeiramente fenomenal. A única desvantagem é que mancha tudo de amarelo. Não posso usar roupas brancas para trabalhar…

Preparamos Kombucha e Kefir e outras bebidas fermentadas, e também chucrute e outros vegetais à base de fermentação láctica. Acho o máximo haver uma maior consciência sobre estas coisas.

 

Para si o que significa equilíbrio?

Para mim, o equilíbrio é tudo e essa foi a ideia por trás do nosso negócio. Em termos daquilo que oferecemos ao cliente, significa termos coisas saudáveis, veganas e que preenchem os requisitos, mas também podermos ter um bolo cheio de manteiga e açúcar, porque um bolo às vezes deve ser assim. Para nós, em termos profissionais, significa também fechar o café às 3 da tarde, para podermos ter um equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. Acho cada vez mais importante criar regras na minha vida, como tentar desligar o telefone às 6 da tarde.

 

E consegue realmente fazer isso?

A maioria dos dias, se não houver nada planeado no café à noite, coloco o telefone em modo de avião às 6 ou 6,30 da tarde. Não o volto a ligar até sair de casa na manhã seguinte. É uma opção muito radical, mas mudou minha vida.

Qual é a parte favorita do seu dia?

Na minha vida pessoal, gosto da rotina matinal. Depois de anos a levantar-me cedo demais e a correr pela porta fora, apercebi-me que uma simples meia hora pode ser muito preciosa para o resto do nosso dia. Se não usarmos esse tempo, nunca mais o vamos recuperar. Portanto, levanto-me, preparo um grande copo de água com limão e sal – parece delicioso, certo? – e medito. Também não posso deixar de mencionar a minha lâmpada SAD, que é muito importante…

Uma lâmpada SAD (trocadilho com “sad”, que traduzido do inglês significa “triste”)?

[Risos] Uma lâmpada SAD faz-nos felizes! SAD é o acrónimo de Seasonal Affective Disorder (Desordem Afetiva Sazonal – DAS), A lâmpada SAD emite 10000 Lux. Depois do primeiro inverno passado em Londres percebi que a falta de luz me deixava bastante deprimida. Não estava preparada para isso! Cresci em Singapura, frequentei o liceu no sul da França e depois vivi na Austrália durante anos. A lâmpada SAD foi uma das minhas melhores compras de sempre – basicamente simula a luz do sol. Adoro ! Até tenho uma pequena lâmpada aqui no Hara. Sol em todo o lado!

O significa para si felicidade?

É uma pergunta difícil… Para mim, a felicidade não deve depender de circunstâncias específicas. Acho que é um estado de alma. As pessoas costumam pensar “seria feliz se tivesse este trabalho, ou se tivesse esta coisa, ou se fizer isto, ou se conseguir aquilo, ou se tiver um namorado, ou”… a lista é infindável! Mas, muitas vezes, são as coisas simples que nos fazem sentir mais felizes e gratos. Como quando uma amiga nos traz uma chávena de chá à cama. Pode até parecer insignificante mas, para mim, as pequenas coisas são as mais importantes.

O que mais a surpreendeu quando abriu o negócio?

Em primeiro lugar, não interessa se se está a trabalhar com café, comida, com as mãos, ou ao ar livre – há MUITO trabalho administrativo. Não é nada romântico, mas é um mal necessário – é um obstáculo que não pode evitar, só tem que se ultrapassar. O que mais me surpreendeu? É para mim uma surpresa sempre que vejo as pessoas entrarem no café e sempre que escolhem voltar… Ao fim de seis meses já deveria estar habituada, mas ainda não estou. E nunca quero deixar de sentir essa surpresa, porque vem sempre acompanhada da gratidão para com cada pessoa.

Por último, mas não menos importante, tem alguma dica para novos empreendedores?

Que tentem ganhar o máximo de experiência no setor que escolherem. É perfeitamente possível. Tudo é. Às vezes pode ser um pouco mais difícil do que imaginámos. Preparem-se para arregaçar as mangas! Particularmente se usarem curcuma…

Encontra o HARA na 13 Downham Rd, London N1 5AA, aberto de quarta-feira a domingo.

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